sexta-feira, 16 outubro , 2026

Entrevista – João Paulo Kleinübing, diretor financeiro do BRDE 

Cumprimos a nossa missão que é apoiar quem produz e transformar vidas”“ 

 

 

Com atuação em praticamente todos os municípios catarinenses, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) encerrou 2025 no Estado consolidando programas voltados ao crédito produtivo, ao apoio às micro e pequenas empresas, à agricultura e pecuária catarinense e à destinação de recursos por meio de leis de incentivo. Para detalhar os números, explicar as estratégias do banco e comentar os próximos passos da instituição em Santa Catarina, a coluna entrevistou o diretor financeiro do BRDE, João Paulo Kleinübing. 

 

Pelo Estado: O BRDE fechou 2025 com números expressivos em Santa Catarina. Qual é o principal destaque do ano? 

João Paulo Kleinübing: Acredito que o principal seja a nossa capilaridade. Em 2025, o BRDE operou em 293 municípios catarinenses, o que representa mais de 99% do território do Estado. Isso mostra que o banco não atua apenas em grandes centros, mas chega também às cidades pequenas, onde o crédito de longo prazo costuma ser mais restrito. 

 

PE: No apoio às micro e pequenas empresas, o Pronampe teve papel central. O que os números mostram? 

JPK: O Pronampe BRDE contratou R$ 321,9 milhões em Santa Catarina em 2025, com 2.038 operações realizadas em 225 municípios. É um volume relevante, distribuído de forma pulverizada, o que indica que o crédito chegou a diferentes regiões e perfis de empreendedores. O interessante do Pronampe é que começou com três linhas de crédito, a Sustentável, o Inova e de Exportação. Ao longo do ano, criamos a linha Exportação Emergencial, diante do impacto das tarifas internacionais, e ampliamos os limites das linhas Inova e Exportação. Em dezembro, também lançamos as linhas voltadas a desastres naturais, tanto para micro e pequenas empresas quanto para produtores rurais. Ser empreendedor é um desafio e o que tentamos fazer é apoiar nas dificuldades imprevistas do caminho. 

 

PE: Essas linhas de emergência tendem a se tornar permanentes? 

JPK: Elas respondem a uma realidade que se repete. Santa Catarina tem sido afetada com frequência por eventos climáticos extremos. O papel do banco é oferecer instrumentos financeiros compatíveis com essas situações, com condições diferenciadas, para preservar a atividade econômica e a capacidade produtiva local. 

 

PE: Como o senhor avalia essa distribuição regional dos recursos? 

JPK: Cerca de 70% dos recursos foram divididos por empreendedores de dezenas de cidades. Se olharmos os 10 primeiros da listagem, vai ter uma predominância de empresas dos municípios do Oeste.  Isso reforça o caráter descentralizado do programa. O crédito não fica concentrado, acompanha a atividade econômica local. 

 

PE: No início do ano, o BRDE anunciou os projetos sociais beneficiados por meio das leis de incentivo. Pode comentar um pouco como funciona e porquê, um banco de fomento, destina recursos para iniciativas sociais? 

JPK: O BRDE utiliza os mecanismos legais de incentivo fiscal para direcionar parte do imposto devido a projetos previamente aprovados nas áreas social, cultural, esportiva, de saúde e ambiental. Em Santa Catarina, em 2025, esse processo resultou na destinação de pouco mais de R$ 3 milhões para 62 projetos, distribuídos entre diferentes regiões do Estado. É um procedimento estruturado, com edital público e critérios técnicos. Para um banco de fomento, essa atuação é coerente com a missão institucional, porque o desenvolvimento não se limita ao financiamento de empresas e infraestrutura. Ao usar os instrumentos de incentivo fiscal, o banco permite que recursos permaneçam no território e reforcem políticas públicas complementares, gerando impacto social direto nas comunidades onde atua e melhorando a qualidade de vida de muitos catarinenses. Entre os contemplados, há desde projetos ligados à cultura quanto Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais, as APAEs.  

 

PE: O carro chefe da economia catarinense é a agricultura, principalmente a familiar. Como o banco atuou para auxiliar os produtores? 

JPK: A atuação do BRDE junto à agricultura, especialmente à produção familiar, passa por diferentes instrumentos de crédito e programas estruturados em parceria com o Governo do Estado. Em 2025, o banco destinou aproximadamente R$372 milhões em financiamentos voltados ao meio rural em Santa Catarina, o que beneficiou cerca de 70 mil produtores e cooperativas. Além das linhas tradicionais, o BRDE também operou programas específicos para enfrentar situações climáticas adversas, com a liberação de R$55 milhões em crédito emergencial, o que inclui linhas com juros diferenciados e, em alguns casos, juro zero para produtores adimplentes. Essa atuação permite manter a atividade produtiva, preservar renda no campo e garantir a continuidade de cadeias que são centrais para a economia catarinense. 

 

PE: Para 2026, o que deve permanecer como prioridade na área financeira do banco? 

JPK: O BRDE completa 65 anos em 2026 com o mesmo propósito: financiar desenvolvimento de longo prazo, com equilíbrio entre viabilidade econômica e interesse público. Vamos manter o foco no crédito produtivo, com atenção às micro e pequenas empresas, à infraestrutura e aos projetos que desenvolvem o Estado e os catarinenses. Desta forma cumprimos a nossa missão que é: Apoiar quem produz e transformar vidas. 

 

 

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